Homem que se cuida vive mais: como o Novembro Azul pode salvar vidas
Como um homem maduro de 51 anos e cidadão consciente dos cuidados que devo ter com minha saúde, tenho observado com preocupação a forma como a saúde do homem é tratada. E também pelo ponto de vista da minha responsabilidade como presidente do diretório estadual do PRD no Rio de Janeiro, tenho esse mesmo olhar crítico sobre nossas políticas públicas. A campanha Novembro Azul, que visa conscientizar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata, é uma discussão social importante, mas ainda há muito a ser feito para que de fato os homens se sintam encorajados a cuidar de sua saúde sem preconceitos.
O Novembro Azul é mais do que uma campanha de um mês; é um chamado à ação contínua. Segundo o Ministério da Saúde, o câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens no Brasil, com uma estimativa de 72 mil novos casos entre 2023 e 2025. No entanto, muitos homens ainda evitam procurar ajuda médica devido ao estigma e ao medo associados aos exames preventivos.
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, implementada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tem como objetivo mudar essa realidade. Entre suas diretrizes, estão o incentivo ao acesso dos homens à atenção primária, a promoção do autocuidado e a participação ativa nas vivências familiares. Essas ações são fundamentais para desmistificar a ideia de que cuidar da saúde é um sinal de fraqueza.
No entanto, é necessário ir além das diretrizes e implementar iniciativas práticas que facilitem o acesso dos homens aos serviços de saúde. Um exemplo bem-sucedido é o programa “Saúde com Humor” em Junco do Seridó, na Paraíba, que utiliza o humor para atrair os homens aos postos de saúde e promover a conscientização sobre a importância dos cuidados preventivos. Esse tipo de abordagem inovadora pode ser replicado em outras regiões para alcançar um público maior.
Além disso, é crucial que as campanhas de saúde sejam inclusivas e considerem as especificidades de diferentes grupos sociais. A mobilização social para a detecção precoce do câncer de próstata na população indígena de Porto Seguro, Bahia, é um exemplo de como as ações de saúde podem ser adaptadas para atender às necessidades de comunidades específicas. Isso mostra que é possível promover a saúde do homem de maneira eficaz e respeitosa.
Volto a falar de uma publicação da Fiocruz, “Boas Práticas na Gestão de Saúde da Pessoa Idosa”, que destaca a importância de políticas públicas integradas e inovadoras para a promoção da saúde. Embora o foco do livro seja a saúde dos idosos, os princípios de intersetorialidade e a criação de redes colaborativas são igualmente aplicáveis à saúde do homem. A integração entre diferentes setores e a aproximação da pesquisa e da inovação tecnológica com as práticas de saúde no cotidiano são essenciais para o sucesso das políticas públicas.
Estando à frente do PRD do Rio, reafirmo nosso compromisso com a promoção da saúde do homem. É fundamental que continuemos a trabalhar para eliminar os preconceitos e barreiras que impedem os homens de buscar cuidados médicos. A saúde é um direito de todos, e cuidar de si mesmo é um ato de coragem e amor.
A mensagem é clara: a prevenção pode salvar vidas. Não é só um mês, mas um compromisso contínuo com a saúde e o bem-estar. Cuidar de si é cuidar de todos.

