Você já ouviu falar em gaslighting? Esse termo pode parecer novo para muitos, mas a prática é antiga e devastadora. O Gaslighting é uma forma de manipulação psicológica que pode destruir vidas, especialmente as de mulheres e idosos. Este tipo de abuso emocional faz com que a vítima chegue ao ponto de duvidar da sua própria percepção, memória e sanidade. É uma tática maliciosa que pode ocorrer em qualquer tipo de relacionamento, seja amoroso, familiar ou até no trabalho.
A psicóloga americana Robin Stern, autora do livro “The Gaslight Effect”, descreve o gaslighting como uma forma de controle que deixa a vítima confusa e insegura. Segundo ela, “o gaslighting é uma forma de abuso emocional que faz com que a vítima se sinta confusa, ansiosa e incapaz de confiar em si mesma”. É assustador, não acha?
Mulheres e idosos são alvos frequentes dessa manipulação. Mulheres podem ser vítimas de parceiros abusivos que usam o gaslighting para manter o controle. Já os idosos podem ser manipulados por familiares ou cuidadores que querem explorar ou controlar.
Recentemente, temos visto um aumento nas citações em notícias e algumas poucas ações de conscientização sobre esse tipo de abuso, graças aos esforços legislativos e campanhas de informação. No Rio de Janeiro, por exemplo, tenho trabalhado incansavelmente para criar e apoiar leis que protejam os direitos dos idosos e das mulheres. Sempre defendi e levei como bandeira a capacitação tecnológica para o empoderamento dos idosos para que não sejam dependentes numa tentativa de manipulação psicológica ou de seu patrimônio tanto nos meus mandatos legislativos e também enquanto estive à frente da Secretaria Estadual de Envelhecimento Saudável.
Para as mulheres driblarem as investidas de quem quiser manipular e cercear seus direitos e independência, a Lei 14.542/2023 estabelece prioridade no Sistema Nacional de Emprego (Sine) para mulheres em situação de violência doméstica ou familiar, isso facilita sua inserção no mercado de trabalho e promove a autonomia financeira. Essas medidas são fundamentais para proteger e empoderar aquelas que são mais vulneráveis ao gaslighting e outros tipos de abuso.
Se você já chegou até aqui nesse nosso papo, fique atento ou atenta a alguns sinais e leve essa conversa para dentro da sua família, comunidade, rodas de conversa: o abusador nega eventos ou conversas que realmente aconteceram, desvaloriza constantemente os sentimentos da vítima, fazendo ela acreditar que são irracionais ou exagerados, e tenta isolar a vítima de amigos e familiares para aumentar o controle. Isso te leva a perceber alguma situação de seu conhecimento?
Para quem deseja se aprofundar no tema, aqui vão algumas sugestões de livros e filmes: “O Efeito Gaslighting” de Robin Stern e “In Sheep’s Clothing: Understanding and Dealing with Manipulative People” de George K. Simon são leituras recomendadas. Nos cinemas, “Gaslight” (1944) é um clássico que deu nome ao termo, e “A Garota no Trem” (2016) aborda o tema de forma intensa.
Como defensor dos direitos das mulheres e idosos, acredito que a informação é uma poderosa ferramenta de defesa. Se você ou alguém que você conhece está passando por isso, procure ajuda. Não permita que ninguém faça você duvidar de si mesmo. Juntos, podemos construir uma sociedade mais justa e segura para todos.

